Luciana Trezza Laranjeira

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Só é dono quem registra: entenda por que o registro do imóvel é tão importante

Você comprou um imóvel, quitou o preço e tem um contrato assinado. Mas será que, juridicamente, o imóvel já está registrado em seu nome?

No Brasil, a propriedade de um imóvel não se transfere apenas com a assinatura de um contrato. O Código Civil estabelece que a transferência da propriedade entre vivos ocorre mediante o registro do título no Registro de Imóveis.

Por isso, quando o assunto é compra, venda, herança ou regularização de imóvel, uma regra é fundamental:

Só é dono quem registra.

O que é a matrícula do imóvel?

A matrícula do imóvel é o documento que individualiza juridicamente cada imóvel no Registro de Imóveis.

Nela são reunidas informações importantes sobre o bem, como suas características, área, localização, confrontações e os atos jurídicos que recaem sobre ele.

É possível pensar na matrícula como uma espécie de “documento de identidade” do imóvel: ela permite acompanhar sua situação jurídica e a evolução dos atos praticados ao longo do tempo.

Na matrícula podem constar, conforme o caso, registros e averbações relacionados a:

  • compra e venda;
  • doação;
  • permuta;
  • partilha decorrente de inventário ou divórcio;
  • compromissos de compra e venda;
  • construção e demolição;
  • alteração de área;
  • penhoras e outros gravames;
  • direitos reais e demais atos sujeitos a registro ou averbação.

Por isso, consultar a matrícula atualizada é uma das etapas fundamentais antes de comprar ou negociar um imóvel.

Contrato de gaveta transfere a propriedade?

Não.

Um contrato particular de compra e venda pode documentar a negociação e produzir efeitos entre as partes, mas não substitui o registro do título no Registro de Imóveis para a transferência da propriedade imobiliária.

O mesmo cuidado vale para acordos verbais ou outras formas informais de negociação: a existência de uma negociação não significa, por si só, que a propriedade esteja registrada em nome do adquirente.

O que é um imóvel irregular?

A irregularidade imobiliária pode ocorrer em diferentes situações.

Por exemplo:

  • imóvel adquirido por contrato particular sem o devido registro;
  • ocupação em que a pessoa exerce apenas a posse, sem ser proprietária registrada;
  • construção ou demolição não averbada;
  • imóvel com construção em situação irregular perante os órgãos competentes;
  • divergência entre a realidade física do imóvel e os dados constantes da matrícula;
  • necessidade de retificação de área;
  • inventário ou divórcio sem a correspondente regularização registral;
  • imóvel rural que dependa de providências relacionadas ao georreferenciamento ou à regularização cadastral e registral.

Por isso, não existe uma única causa de irregularidade imobiliária. Cada imóvel precisa ser analisado de acordo com sua situação documental, registral, urbanística e, quando aplicável, ambiental e fiscal.

Quais são os problemas de ter um imóvel irregular?

Um imóvel irregular pode apresentar dificuldades para:

  • realizar uma compra e venda;
  • obter financiamento imobiliário;
  • transmitir o bem por doação ou sucessão;
  • concluir um inventário ou uma partilha;
  • comprovar a titularidade perante terceiros;
  • obter o valor de mercado esperado em uma negociação;
  • regularizar construções ou outras alterações realizadas no imóvel.

Em determinadas situações, a irregularidade também pode resultar em desvalorização do imóvel ou aumento dos custos e do tempo necessários para uma futura negociação.

Você pode ter pago pelo imóvel e ainda não estar registrado como proprietário

Esse é um dos pontos que mais merece atenção.

Pagar integralmente o preço de um imóvel não significa, por si só, que a propriedade já esteja registrada em seu nome.

Por isso, não espere surgir um problema justamente no momento da venda, do financiamento ou da partilha de uma herança para descobrir que a documentação precisa ser regularizada.

Regularização de imóvel: prevenção é segurança

A regularização de imóvel começa pela identificação do problema.

Uma análise preventiva pode verificar a matrícula, os títulos existentes, a situação registral e os demais documentos necessários para identificar quais providências são necessárias em cada caso.

Se você tem dúvidas sobre a situação jurídica ou registral do seu imóvel, a análise preventiva pode ajudar a identificar pendências antes que elas se transformem em obstáculos.

Não deixe a regularização do imóvel para o momento da venda ou da transmissão do patrimônio.

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